Brasil diferente, altruísta e soberano precisa sim de quotas raciais. E, é das quotas dos negros que estou falando; pra que não fique no debate simplista e dissimulado de que somos um país muti-étnico e, portanto, as quotas sociais seriam mais prudentes. A premissa é verdadeira, mas não afirma categoricamente quem viveu em regime de furto de terras (na África), sequestro, escravidão, tortura e processo de favelização no país. Respondo, os negros.
Em que pese, talvez, para uns o debate ser anacrônico, descolado da realidade, ou até mesmo racista. Os fatos concretos demonstram que a disparidade ética entre brancos e não brancos cresce; há sim mecânismo de perpetuação desse abismo, se a vanguarda política e a intelectualidade não intervir e criar mecanismos reparadores, compensatórios, afirmativos a tendência, é sim de acentuamento dessa divisão étnica e material. Que dizer dos melhores empregos, dos melhores salários, da melhor escolaridade. Veja que no caso clássico emprego e renda; é fato recorrente que negros e não-negros possuem aferições salariais distintas. Negros percebem rendimentos menores que brancos.
Esse debate é melhor percebido na sociedade, hoje, no caso da empregabilidade e renda entre os homens e mulheres; assim como os negros as mulheres são espoliados recebendo remunerações menores que homens. Constatação. A sociedade é majoritariamente melhor remunerada por brancos e homens.
O estágio atual da sociedade exige a equiparação da empregabilidade e da renda entre negros e não-negros.
Alguns governos tem investido em espaços de formulação e execução de políticas públicas para tanto; o caso da criação de pastas, coordenações, secretarias tem sabidamente contribuido na propagandização dessas disformidades. Mas, não basta! É preciso atingir um patamar de transversalidade nas ocupações dos espaços públicos (fundamentalmente a coisa pública, que deve dar exemplo) e privados. Isso significa minimamente um sistema de quotas nessas ocupações; que visam uma ocupação em escala. O contrário disso é a manutenção das disparidades raciais entre negros e não-negros.
A intelectualidade transformadora e revolucionária deve altivamente defender essa ruptura. Quotas sim; e para os negros.
A mecânica racista pouco mudou. Hoje a baixa escolaridade, os empregos informais, os baixos salários dos da maioria da população negra remetem a reprodução do estado de subserviência, alienação intelectual e da lacaigem étnica escravagista.
Não há, nesse sentido outra ação política capaz de reverter o quadro de vassalagem étnica. Outra coisa é a lacaiagem de outrora.
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